O bullying sempre existiu, mas o fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, tomando proporções e consequências muitas vezes trágicas. A escola é provavelmente o primeiro convívio em sociedade que a criança tem e deve trabalhar a inteligência emocional desde cedo com ela. Os pais também devem aprender a ensinar essa habilidade para os filhos, que pode ajudar na prevenção ao bullying, assim como o abuso de drogas, a violência e até o suicídio infanto-juvenil.

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“Inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e identificar os próprios sentimentos e o dos outros, assim como saber lidar com eles dentro de nós mesmos e nos relacionamentos. E como a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre pessoas, a inteligência emocional é considerada atualmente como principal responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos”, diz Karin Kenzler, orientadora educacional do Ensino Médio do Colégio Humboldt – instituição bilíngue e multicultural (português/alemão), localizada em Interlagos (SP).

Por meio de palestras, a orientadora sempre trata de temas educacionais, alertando pais e responsáveis sobre possíveis problemas relacionados aos filhos. “A escola também tem um papel importante em lidar com essa questão com o aluno. Por meio de assembleias para discussão de temas inter-relacionais em sala de aula e dinâmicas de autoconhecimento, comunicação, integração grupal, reconhecimento e aceitação das diferenças, trabalhamos a educação emocional da criança”.

Mas, como os pais podem ensinar a inteligência emocional para seus filhos? Karin explica que, em primeiro lugar, os pais devem observar como manejam suas próprias emoções, porque os filhos agem muito por imitação. Mas também podem melhorar muito seu próprio controle emocional educando o filho, afinal, também é ensinando que se aprende. “Pais preparadores emocionais se envolvem com os sentimentos dos filhos, não se opõem às manifestações de raiva, tristeza ou medo, nem as ignoram, mas as aceitam como naturais de cada indivíduo e aproveitam os momentos de exaltação emocional para ensinar aos filhos importantes estratégias para lidar com os altos e baixos da vida”, comenta.

Sempre que o filho relatar uma situação de conflito, agressão ou mágoa com colega ou irmão, após uma escuta e acolhimento das emoções, os pais devem instigá-lo a refletir sobre o que teria levado o outro a agir daquela maneira. “Agindo assim, desenvolve-se na criança a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender e relativizar, antes de julgar ou simplesmente reagir, buscando soluções conciliatórias”, salienta a orientadora.

De acordo com Karin, a inteligência emocional também ajuda crianças e adolescentes a serem adultos mais felizes e a lidar melhor com conflitos e dificuldades no futuro. “Indivíduos emocionalmente preparados tendem a buscar soluções não violentas para os conflitos interpessoais, pois aprenderam a falar de seus sentimentos, a compartilhar suas experiências, a ouvir e respeitar o outro do jeito que ele é, com seus defeitos e qualidades, e a olhar para si e se reconhecer como parte do todo”, explica.

Por fim, a orientadora dá dez dicas de como agir para desenvolver a inteligência emocional do filho:

  1. Ver nas emoções negativas uma oportunidade de intimidade e para agir como educador;
  2. Não se impacientar e dedicar um tempo à criança triste, irritada ou assustada;
  3. Estar sensível aos estados emocionais da criança, mesmo os mais sutis;
  4. Respeitar a emoção da criança;
  5. Escutar a criança;
  6. Demonstrar empatia com palavras tranquilizadoras e afeição;
  7. Ajudar a criança a nomear as emoções;
  8. Ensinar técnicas de solução de problemas e não resolver por elas;
  9. Dizer que ter emoções negativas são normais e que todo mundo as tem;
  10. Dar exemplos de como você próprio lida com emoções e explorar outros meios da criança lidar com elas.
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