O líder indígena lamenta os vestígios de minério depositados no solo e conta como sua aldeia, localizada numa reserva às margens do rio Doce, tem sobrevivido após o rompimento da barragem da Vale em Mariana, Minas Gerais

Sob um sol quente de quase meio-dia, o líder indígena Ailton Krenak caminha às margens do rio Doce, chamado por seu povo de Watu, o “Nosso Avô”, e conta como sua aldeia, situada em uma área de 4 mil hectares habitados por cerca de 600 pessoas à margem esquerda do rio, tem sobrevivido após o derramamento de lama tóxica que praticamente destruiu toda a região. Após cinco anos do desastre envolvendo uma das mineradoras da Vale do Rio Doce em Mariana, Minas Gerais, a reserva segue sem fonte natural de água, sobrevivendo às custas de caixas d’água abastecidas diariamente por caminhões-pipa da mesma Vale.

Professor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Krenak atua desde a década de 1970 na defesa dos direitos dos povos originários e conta, em entrevista exclusiva à revista Casa Vogue, como atividades responsáveis por devastação ambiental, como a mineração, acabam aceitas pela sociedade, que passou a acreditar no “mito da sustentabilidade”.

O líder indígena propõe ainda reflexões oportunas para quem busca inspiração no trabalho de povos indígenas, como arquitetos e designers têm feito, ressaltando que há uma diferença significativa entre sustentabilidade e consumo da subjetividade – que, segundo ele, é o que acontece “quando há a exploração do sentido de uma atividade não mais pelo que ela é, mas pelo que ela representa”.

Confira a entrevista completa na revista Casa Vogue, que chega às bancas no próximo dia 09 de março.

Previous post

Finalistas do Prêmio Casa Vogue Design ganham exposição no shopping D&D

Next post

Temporada de verão do Radisson Hotel Aracaju tem resultados positivos

Imprensa

Imprensa