Estudo realizado com mais de 2.000 pacientes em 10 países aponta técnica como alternativa para tratamento padrão contra a doença. Técnica é realizada por meio do INTRABEAM® equipamento portátil da multinacional alemã ZEISS, disponível em hospitais de referência no Brasil

O estudo TARGIT-A (radioterapia intraoperatória versus radioterapia externa para o câncer de mama), publicado na British Medical Journal no mês de agosto, comparou a eficácia da Radioterapia Intraoperatória (IORT) de mama, em que uma única aplicação de radioterapia é realizada na mama, ainda no centro cirúrgico logo após a cirurgia para remoção do tumor diretamente no local operado, com o tratamento de Radioterapia Externa Pós-operatória (EBRT) de mama, em que o paciente realiza aplicações externas de radioterapia após o procedimento cirúrgico em período de 3 a 6 semanas. Dentre os 2.298 pacientes analisados, 1.140 foram tratados com IORT e apresentaram resultados equivalentes aos dos pacientes submetidos à EBRT a longo prazo sem, no entanto, enfrentar os efeitos colaterais da radioterapia externa, evidenciando os benefícios da IORT.

Realizado no período de 24 de março de 2000 a 25 de junho de 2012, a pesquisa tem como principal autor o Professor PhD de Cirurgia e Oncologia e Diretor Científico da University College London, Dr. Jayant S Vaidya, que destacou que os pacientes que  receberam o tratamento com IORT, apresentaram menor probabilidade de desenvolvimento de outros tipos de câncer e de doenças cardíacas, bem como de morte nos cinco anos seguintes ao procedimento. Com isso, o estudo TARGIT-A estabelece a IORT como uma opção de tratamento padrão para o câncer de mama em estágio inicial.

A médica diretora da mastologia do Hospital AC Camargo, Dra. Fabiana Makdissi, acredita que em tempos de pandemia, um tratamento em uma única sessão seria de grande valor às pacientes em tratamento contra o câncer, devido a não necessidade de se movimentarem pela cidade. “Quando a paciente está dentro dos critérios de seleção para esta terapia, os benefícios clínicos, sociais, financeiros e psicológicos são enormes. Seria muito importante instituições públicas e privadas adotarem a técnica para tratamento de câncer de mama em estágio inicial, pois ela reduz o tempo de tratamento drasticamente, o que é essencial diante do cenário atual de isolamento social”, explica a especialista.

Resultados levantados

Os resultados de longo prazo do TARGIT-A confirmam a não inferioridade do IORT em comparação com EBRT como sobrevida livre de recidiva local. Assim como para sobrevida global, e a mortalidade por câncer de mama se mostraram não inferiores. Com uma redução significativa nas mortes por não câncer de pacientes tratadas com IORT. Já o risco de recorrência local em cinco anos de acompanhamento completo foi de 2,11% para IORT em comparação com 0,95% para EBRT (diferença de 1,16%, intervalo de confiança de 90% 0,32 a 1,99).

Revolução na Saúde

Referência mundial em tecnologia voltada à saúde, a multinacional alemã ZEISS desenvolveu o INTRABEAM®, sistema de radioterapia intraoperatória portátil, com acelerador linear móvel de baixa energia, utilizado em centros cirúrgicos para o tratamento de radioterapia intraoperatória de dose única. A University College London, na Inglaterra,foi a primeira instituição do mundo a utilizar a solução, que está disponível no Brasil desde 2013.

O INTRABEAM® permite um tratamento direcionado, adaptado ao risco e pode ser usado em diversos tipos de tumores. Usando raios X de baixa energia, a irradiação intraoperatória pode ser administrada com uma dose alta. A radioterapia intraoperatória é feita depois da ressecção do tumor. Com duração de aproximadamente 30 minutos, a aplicação da radioterapia intraoperatória não oferece riscos à paciente ou à equipe médica e promove a melhoria na qualidade de vida das pacientes, que retornam ao seu convívio social e às suas atividades cotidianas mais rapidamente. Além disso, o procedimento diminui os efeitos colaterais associados ao método convencional de radioterapia, como fadiga, vermelhidão na região, sensibilidade ou alteração na cor da pele, e reduz o tempo de radioterapia.

“A possibilidade de irradiar exatamente o local onde o tumor se encontrava, garantindo que todo o tecido das áreas que o circundam seja irradiado também, já é por si só uma grande revolução, já que vários estudos mostraram que o maior índice de recorrência local se dá nesta região. Além disso, a redução no tempo de radioterapia tem efeito psicológico positivo na paciente, que não necessita se deslocar por várias semanas, sobretudo diante do cenário atual imposto pela pandemia, em que as pessoas consideradas de risco precisam estar em isolamento social.”, afirma Luciana Lima, Business Manager da ZEISS.

O INTRABEAM® é utilizado no tratamento do câncer em diversos hospitais do país, como AC Camargo Câncer Center (SP), Hospital Oswaldo Cruz (SP) e Instituto de Mastologia e Oncologia (GO). Além disso, as pacientes da rede pública podem usufruir da tecnologia por meio de parcerias entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os hospitais que contam com o equipamento, em conformidade com a Portaria n° 1.354/SAS/MS. Ao todo, mais de 45.000 mulheres em todo o mundo receberam tratamento IORT por meio do INTRABEAM®, com excelentes resultados.

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